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“Garotas são fáceis, não tem como isso ser difícil…” Ele murmurou para si mesmo, mais uma vez se sentando sem mover seus olhos da tela brilhante em suas mãos. Mas mesmo com esse pensamento nada lhe veio à cabeça.
Tudo aconteceu na noite anterior, era pra ser apenas mais uma festa como qualquer outra mas mesmo assim sua irmã mais nova, Alyna o forçou a levar um de seus amigos com ele. Ele conhecia Edward desde o ano passado quando ele se mudou para a cidade. Mais especificamente porque a melhor amiga de sua irmã, Aquila, havia recrutado o pobre coitado como parte de seu pequeno grupo. Eles se trombaram algumas vezes na sala de estar quando Alyna e Aquila o forçavam a ir ao shopping ou algum outro lugar que apenas Aquila parecia animada para estar. “Ele parece de boas…” foi o que Dankan pensou algumas vezes, sem ter segundas intenções, o que lhe era um tanto quanto raro.
Não é como se ele ignorasse a parte de si que sabia que ele também gostava de homens talvez tanto quanto gostava de mulheres, a diferença era que em nenhum momento até então ele havia tido que começar a conversa com “você se declarou ontem na festa e está tudo bem.”
Só de pensar nas palavras da noite anterior Dankan grunhiu, se jogando novamente para trás na cama e jogando seu celular longe antes de se levantar correndo para encontrar o aparelho no chão com a tela ainda intacta. “Deus abençoe o carpete…” Ele suspirou, se sentando no chão e encostando sua cabeça contra o colchão.
Em todos seus anos de ser humano ninguém havia se confessado para ele. Todas as garotas com quem havia saído era apenas um número no fundo da sua mente, os caras com quem ficou uma vez ou outra não eram nada mais do que devaneios da bebida e o calor do momento. Ele nunca havia se visto como material para um relacionamento sério, muitos problemas, muita bagagem. Mas Edward não sabia disso, o garoto estava morando na cidade mau fazia um ano, ele não tinha ideia de que havia caído dentro da planta carnívora e não estava na verdade encontrando descanso numa sombra confortável.
Talvez tenha sido esse lapso de julgamento que fazia Dankan questionar se queria mesmo quebrar o coração do coitado. Com um longo suspiro, ele passou os dedos pelos cabelos, os curtos fios eram o que haviam restado depois de mais um trabalho de descoloração com o ajuda de Alyna, uma tentativa fútil de tentar tirar o que ainda sobrava de azul nos fios que um dia haviam sido loiros. Foi dessa forma que ele se encontrou digitando pela primeira vez em sua vida as palavras “como flertar com um cara que talvez eu goste” no Google. Nas palavras de seu pai “carisma é sua maior arma”, e havia sido desde que Dankan se lembrava como gente. Ainda assim, naquele momento, aquela era sua maior fraqueza.
Qualquer coisa que ele pudesse dizer iria soar vazio, ele já tinha dito aquelas mesmas palavras pra outras pessoas como se fossem as moedas do troco do mercado. Pelo menos essa foi a desculpa que ele mesmo se deu ao continuar lendo artigo ridículo após artigo ridículo antes de abrir a conversa vazia novamente.
E foi com uma longa inspiração que ele finalmente apertou o botão de enviar na mensagem mais ridícula que ele pode achar. “Você tá tomando banho?” foram as palavras que ele escolheu. Talvez muito agressivo? Talvez muito na cara? Talvez ele levasse apenas como um convite para transar e nada mais? Dankan já estava quase arrancando os próprios cabelos, cavando um buraco no carpete do próprio quarto de tanto andar de um lado para o outro quando seu celular finalmente vibrou com uma notificação. Ele se jogou para cima da cama atrás do aparelho como se estivesse prestes a receber uma notícia importantíssima, e sem nem mesmo ler a resposta continua com seu plano. “Sem mim? :(“ ele enviou antes de finalmente olhar a mensagem acima. “…Não?” havia sido a resposta de Edward, e toda a cor de seu rosto pareceu se esvair quando sua cabeça caiu contra o colchão.
A ideia havia sido obviamente idiota, porque ele achou que iria funcionar? Era a ansiedade, a culpa de não saber como dizer ao garoto que essa era uma péssima ideia? Nem ele mesmo sabia.