my boyfriend is a serial killer

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#oc #mistério #romance #dead_dove #pt-br

TRIGGER WARNING: SUICÍDIO, MORTE, GORE, MENÇÃO DE ABUSO
Acorrentada por lembranças e medos, Yesfir dá seu primeiro passo à vida que sempre sonhou em ter ao passar na faculdade, agora no entanto pode estar caindo nas teias de um monstro ainda pior.

notas: a ideia e história é muito mais antiga (de 2014 de acordo com ao3) e essa foi uma pequena reformulação de 2023. talvez eu continue? não sei, até hoje fico com um pé atrás com a personagem da Yesfir...

“Talvez…” ela pensou consigo mesma enquanto levantava suas mãos no ar e saia para o frigido inverno nas montanhas “se as coisas tivessem sido diferentes”, a mulher continuou em sua própria mente enquanto vários oficiais levantavam suas armas para seu delicado rosto rosado pela fria briza “nada disso teria acontecido…” ela terminou seu pensamento em um único segundo. Seus pés trêmulos voltaram atrás, a pistola estava logo em cima da pequena mesa ao lado da porta. Um único segundo, um único clarão acendeu o interior da casa, e logo seu corpo estava imóvel na neve. “Talvez, se as coisas tivessem sido diferentes nós ainda estaríamos juntos”, foram suas últimas palavras na pequena carta deixada para trás em cima do que havia sido sua cama naquela remota montanha. Fugindo da polícia, fugindo do mundo pelo que ela acreditava ser o amor de sua vida.

Aquele era o seu final feliz. Os dois contra o mundo. Mas naquela pequena cabana os oficiais encontraram apenas ela e seu corpo agora sem vida. Aquele era apenas mais um caso sem respostas, e agora, sem pistas.


Mas cinco anos antes aquela não era a Yesfir que o mundo conhecia. Ela não era nada mais do que uma garota com mais problemas que o normal. “Tímida e quieta como um pequeno gato”, era assim que as pessoas que lhe conheciam lhe descreviam. “Ela se mudou de Moscow para cá muitos anos atrás, mas ninguém nunca perguntou porque” foi o que alguns de seus vizinhos disseram. Seu primeiro maior segredo estava guardado em sua memória.

Talvez ela tivesse uns quatro ou cinco anos. Sua única família até então eram seus pais e seu tio que vez e nunca aparecia para pedir dinheiro ao seu pai especificamente. Os dois haviam crescido relativamente pobres na grande metrópole, mas enquanto o pai da garota havia feito de tudo para tomar um caminho decente na vida seu irmão não podia ser o mais longe do contrário. O homem havia estado envolvido e todo tipo de esquema para se tornar rico o mais rápido possível e todos apenas terminaram em ele tendo menos dinheiro ainda. Mas naquele verão, ou talvez fosse primavera, ele veio uma última vez suplicar ao seu irmão por um lugar para dormir. Ele havia passado uma semana toda na rua, e por mais orgulhoso que o pai da garota fosse ele não podia deixar seu irmão apodrecer nas ruas daquele jeito. Vadim havia apostado tudo o que tinha e mais um pouco num “bilhete premiado” da loteria local, ele havia perdido seu dinheiro, sua dignidade e a casa que era uma herança de seus falecidos pais. Implorar pelo asilo de seu irmão mais novo era apenas mais uma facada em seu frágil e quebrado ego. Ele já era conhecido por todos os parentes como “aquele que sempre aparecia para pedir dinheiro emprestado mas nunca devolvia” por mais que ele sempre negasse. E sua estada na casa de seu irmão não foi muito diferente.

A casa era pequena e apertada, por mais que Yesfir não se sentisse confortável perto do deplorável homem que carregava o título de dyadya, ela ainda havia sido educada por seus pais à não virar seu rosto para sua família. Afinal, eles nunca iriam lhe machucar. Ou pelo menos foi o que todos queriam acreditar. Seu tio, no meio tempo que havia estado em sua casa sugando tudo e mais um pouco do que a família poderia lhe dar, teve algumas muitas “namoradas” das quais ele sempre parecia dar dinheiro logo quando ela ia embora, coisa que a garotinha ainda não compreendia. Mas ainda assim ela podia ouvi-los logo ao lado de seu quarto. Sons que ela provavelmente nunca iria esquecer e menos ainda não aguentava mais ouvir.

Foi em um destes dias que ela ouviu uma horrorosa briga entre seu tio e uma de suas namoradas. “Se você não tiver dinheiro pra me pagar você sabe muito bem o que o Lev vai fazer com você, seu nojento de merda!” a mulher gritava enquanto batia a porta da frente. O homem antes apenas um pouco estranho mas no geral calmo agora parecia estar espumando pela boca. E pelos próximos dias tudo pareceu calmo. Yesfir não ouvia mais aqueles horríveis barulhos quando estava em casa, por mais que seu tio parecesse cada vez mais inquieto, cada vez mais procurando por algo que ele não parecia encontrar. Naquela tarde que parecia tão calma quanto todas as outras o pálido e magro homem entrou em seu quarto, lhe perguntando como ela estava mas claramente tropeçando por cima das suas palavras. Sua respiração agitada assustou a garota que rapidamente se levantou e tomou um de seus ursos de pelúcia em mãos, lhe abraçando o mais forte que podia. “Você está me assustando, dyadya…” ela disse em sua inocente voz de apenas quatro ou cinco anos. Mas o homem já estava perdido de mais em suas desilusões alcoólicas para fazer sentido de qualquer pedido de socorro que a garota poderia lhe dar.

Talvez ele pensasse estar em um dos romances de Nabokov, a única diferença era que tudo isso estava muito mais para o caso de Horner do que o contrário. A garota havia sido deixada ali, coberta em seu próprio sangue, sem compreender absolutamente nada. Abusada, suja, e dessacrada. Mas sua tortura não parou aí. O terrível homem continuou, sempre que estavam sozinhos dentro da casa ele trazia à tona assuntos eróticas que a garota nunca poderia compreender em sua idade. E com suas mãos que agora pareciam gosmentas e geladas ao toque, ele prosseguia com seus atos profanos sobre a inocência de Yesfir. Em silêncio ela sentiu a dor da violação. Em silêncio ela ouviu as vis palavras daquele conhecido mas confuso homem, sobre tudo que ele queria fazia com seu pequeno e machucado corpo, sobre tudo o que ele queria fazer com sua mãe. Em silêncio ela ouviu tudo. O que raios mais ela iria fazer? O que ela iria dizer para sua mãe? O que ela iria dizer para seu pai? A mente da garota parecia estar numa infinita espiral de medo e confusão enquanto o terrível homem continuava seu abuso incessante e aparentemente sem fim.

Quanto mais tempo se passava, mais audacioso ele ficava. Observando a garota de perto e de longe. Lhe tocando mesmo quando seus pais estavam por perto. Todas as palavras medonhas que ele havia sussurrado em seus ouvidos pareciam tomar forma. Dos mais obscuros e cruéis, aos mais simples e banais, Yesfir teve que atuar todos eles. A garota estava presenciando não apenas a sua caída à desgraça que era a realidade humana, ela também estava presenciando um homem que havia perdido tudo cair em pura loucura. E quanto mais dor ela sentia, menos ela falava. Não levou muito para que a feliz e agitava garota se tornasse nada mais do que uma casca do que um dia ela havia sido. O silêncio parecia ensurdecedor para a garota, mas não para os outros adultos da casa.

A violência cresceu com o seu silêncio. Seu abuso se tornou cada vez mais físico, ao ponto que a garota tinha mais machucados do que uma criança normal teria em toda a sua infância em apenas um único dia. O tempo, no entanto, havia passado. Ela estava crescendo junto com todo o resto. Os anos se passaram, e um dia, alguém iria notar. Yesfir se dizia todas as vezes.

E naquele dia de verão, sua mãe notou. Ela havia chegado mais cedo em casa, e a primeira coisa que ouviu fora o silêncio foi o choro de sua queria filha. Mas talvez nada tivesse preparado a mulher para a cena que ela encontrou. O corpo de sua filha dessacrado e sangrando, seu rosto prensado contra o colchão enquanto o conhecido homem estava em cima da criança, rindo. Não demorou muito para que seu pai, que havia estado trabalhando como policial por uns bons anos, chegasse com o mais alguns oficiais e o levassem embora. Mas a garota havia ficado, e não havia nada que sua família pudesse fazer para lhe curar de suas feridas mentais. Não importava em quantos médicos, doutores, psiquiatras eles fossem com a garota. Nada parecia lhe ajudar. Novamente, seu silêncio cresceu cada vez mais ensurdecedor para seus pais que agora pareciam chorar tanto quanto a pequena criança. Isso levou a isolação não apenas da garota, mas da família toda.

Sendo educada pela mãe que precisou largar de seu emprego, a família começou a passar cada vez mais perto da pobreza. “Precisamos nos mudar” ela ouviu seu pai dizer pelo menos uma vez ou outra. E logo aquilo havia se tornado realidade. Foi uma longa viagem de pelo menos cinco dias até sua nova casa muito ao leste do país. Neryugri era pequena e confortável. E longe o suficiente para que ninguém soubesse nada sobre a pequena família de três.

Logo Yesfir estava de volta à escola. Não mais tão calada, mas ainda quieta. Talvez ela tenha tido mais dever de casa do que gostaria, afinal, ela havia sido ensinada todo esse tempo por sua mãe. Ela já tinha pelo menos dezesseis, muitas coisas talvez simples haviam passado batido. De alguma forma, aquilo não lhe incomodava tanto. Sua paz parecia estar nos livros, em aprender. Não foi uma surpresa muito grande quando a garota declarou que queria ir para uma faculdade. Irkutsk era longe, mas não longe o suficiente para que eles negassem o pedido de sua única e amada filha. E talvez seja aqui que sua história começa de verdade.

Em sua mente alguém sempre parecia estar lhe observando durante toda aquela primeira semana. Talvez um de seus piores medos. E por mais forte que ela fosse agora com quase vinte anos, ela ainda precisava sair da sala volta e meia para se acalmar. Sua paranoia parecia apenas isso, uma paranoia. Coisa que ela havia tido já haviam muitos anos. “É apenas na sua cabeça, tudo vai ficar bem” ela repetia em sua mente durante todas as aulas. No horror no entanto, era que ela estava sendo observada. Já faziam pelo menos algumas semanas desde que Dimitri havia se mudado para aquele fim de mundo num país extremamente gelado. Ele não conhecia ninguém, e ainda assim morava numa grande mansão que talvez parecesse abandonada para um olho não muito atento. Todas as casas à sua volta eram tão grandes quanto a sua, e ainda assim você não lhe apontaria em uma linha de pessoas e diria “podre de rico”. Ele havia se mudado da Inglaterra não fazia muito mais do que um mês, “explorar o mundo, conhecer coisas novas” ele dizia para todos que perguntavam. Quem eram eles para negar? Aquela parecia ser uma história tão convincente quanto o seu dinheiro.

Não demorou muito para seus olhos esverdeados caírem sobre a quieta garota de cabelos castanhos ao canto da sala. Ela sempre parecia estar à parte, sozinha. Seus longos cabelos brilhavam como mel na pouca luz que ainda parecia entrar pela janela, seus olhos azuis como um límpido rio pareciam não ter fim. Mas era sua expressão simpática e envergonhada que haviam lhe chamado atenção. “Kristeen”, ele sussurrou sobre sua respiração quase como se estivesse tentando invocar o fantasma de sua falecida irmã. A pele da garota também era tão pálida quanto ele se lembrava de sua minúscula irmã em seu caixão, coberta por lindas rosas brancas. Sua maior diferença ainda era o quão corada ela parecia ao frigido vento, provando que aquele não era um fantasma à sua frente. Talvez aquela fosse uma atração fatal em algum ponto. Ele queria se aproximar por ela lhe lembrar tanto de sua irmã. Mas seus sentimentos ainda eram confusos e sua curiosidade tão grande quanto. Afinal de contas, ela parecia ter estado ali tanto tempo quanto ele, mas nenhum dos dois se enturmavam muito bem. No caso de Dimitri era pura escolha, mas e ela?