{11} o príncipe não existe

✿.。.:* ☆:**:.20 novembro 2025.:**:.☆*.:。.✿

Mês passado, depois de quase 8 anos juntos ele terminou comigo. Aparentemente nossa relação estava "fria de mais".

Por algumas semanas pensei ser minha culpa, chorei, ainda choro, mas agora consigo notar que ele só pode dizer isso porque já levou tudo que eu tinha pra dar. Eu amei ele com todas as minhas forças, estive do seu lado mesmo quando estava errado, mesmo quando me sentia machucado pelas suas ações, mesmo quando todos os meus amigos o odiavam por todas as vezes que me largou chorando. Mas claramente eu só fui idiota.

Nunca foi amor que ele quis, pelo menos não do tipo que eu podia dar sem tudo que me torna eu interromper. O que ele queria era a fantasia sexual de mim que sua mente criou quando começamos a namorar, quando eu ainda estava conhecendo o mundo pela primeira vez mas todo mundo já tinha seus ideais formados. E eu tenho certeza que ele sabia disso.

Ainda me lembro de todas as vezes que me forcei a ser hiper sexual com ele, na esperança de "talvez hoje ele me ame", "talvez hoje ele não vire pro lado e durma mas me olhe como se eu merecesse também". Nunca aconteceu, nem depois de eu pedir...

Ainda lembro das palavras "parece que você tem nojo de mim", ele dizia enquanto tudo que eu conseguia fazer do outro lado da tela era rir. Rir da irônia que ele se sentia sujo e nojento enquanto eu estive sofrendo em silêncio todos esses anos pela forma com que ele me via apenas como um objeto sexual. Todas as vezes que me perguntei se eu era nojento por ele sempre gozar mas nunca nem questionar se eu queria também ou não.

Sim, nossa relação se tornou fria no sentido sexual, mas não foi porque eu achava ele nojento, foi porque eu desisti de pedir, desisti de tentar, desisti da ideia que um dia ele iria me ver como mais do que um buraco.

Lembro como me senti desconfortável um tempo atrás, chateado na verdade, quando descobri que ele nunca disse pra ninguém na vida dele que eu era trans, que meus pronomes não eram mais femininos já faziam 5 anos. Na verdade, me senti muito machucado por ele usar pronomes femininos quando falava de mim pras outras pessoas, levando elas a achar que eu era na verdade uma mulher cis e não uma pessoa trans. Lembro de nem uma única vez no mês que fui visitâ-lo ele ter corrigido a mãe, o padrasto, os avós... na verdade, a irmã dele foi a única que corrigiu.

Nesse último mês eu notei que eu era a fantasia e não a pessoa. Eu ser "diferente", ser quem eu sou, era "exotico e divertido", mas só até o ponto onde começava a causar problemas pra ele. No momento que eu tinha um meltdown, que ele precisava se levantar e me defender, de repente eu não valia mais nada, eu não era mais nada dele.

As vezes me pergunto se em algum momento nesses quase 8 anos ele me amou, amou quem eu sou e não apenas o corpo que habito. Corpo que ele sabia que eu odiava, corpo que ele sabia que me causava disfória. Mas não é como se ele algum dia tivesse tido o mínimo de consciência pra pesquisar o que nada disso quer dizer, de entender ao que isso leva. Claro que não, eu quem deveria mastigar todas as informações e vomitá-las em sua boca como um pássaro.

Eu tentei, tentei fazer as coisas que ele queria mas eu nunca podia estar mau, nunca podia chegar no meu limite. Eu não podia ser eu, não podia ter minhas limitações, porque não era isso que ele queria. E tenho certeza que se meu cérebro fosse mais neurotípico, se eu não tivesse todos os problemas que tenho, que ele me amaria. Porque ele nunca amou quem eu realmente era, porque a verdade é estranha de mais, triste de mais, pesada de mais.

Talvez seja ruim da minha parte dizer isso, mas a verdade é que eu espero que ele sofra, sofra pela minha falta, sofra por não achar nenhum outro otário que vá aguentar a desgraça que ele é na realidade. Que um dia todos saíbam como ele não é nada do que diz.

Eu espero que um dia eu tenha a coragem de contar toda a história pra todo mundo.

abyss~

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img: 漏流波流

{10}

✿.。.:* ☆:**:.20 setembro 2025.:**:.☆*.:。.✿

Sei que já faz mais de um ano que não escrevo, mas sinceramente acho que só estive muito mau pra poder ser sinceramente criativo. Passei um tempo no minecraft, mas aos poucos as pessoas foram largando e nem mesmo o meu forever world parece que vai sobreviver a isso. Tentei passar um tempo no overwatch, mas aos poucos meu computador está mais e mais frágil, e não consigo mais jogar tanto quanto antes. Queria poder dizer que as coisas estão melhores, que está tudo dando certo mas é o completo contrário.

Acho que fazem muitos anos que não me sinto tão excluído do mundo, tão segregado das pessoas que chamo de amigos. Sinto que todo o progresso, todas as conexões que eu fiz no último ano ou dois se desfizeram como linha. Sinto que estou aos poucos ficando louco, me perdendo no que sou, já fui e posso ser sem ao menos saber o que está acontecendo. O mundo, o tempo, a cidade, as pessoas, tudo continua do lado de fora eu estando aqui ou não. Se um dia essa página desaparecer, se um dia minhas palavras se esvairem nenhum ser irá notar ou sentir falta.

Questiono todos os dias porque ainda estou aqui? O que eu tenho pra oferecer o mundo? Nada, a resposta é sempre nada.

Eu não sei como quebrar o cíclo que começou tão antes de mim, porque isso é meu trabalho de qualquer forma? Quem colocou esse peso nas minhas costas antes mesmo de eu nascer? Porque quero tanto ser algo maior do que sou quando sei que não consigo nem mesmo aguentar o pouco de vida que já tenho? Porque quero tanto existir? Porque quero tanto ser lembrado? Porque quero tanto ser algo?

Não é como se eu conseguisse terminar qualquer das coisas que começo. Eu sou um cíclo sem fim. Nunca consigo encontrar o final de nada, nunca aprendi como.

Sempre despejo todas as energias que tenho nas poucas coisas que ninguém se importa e quando me viro a vida já passou, as pessoas já andaram, o dia já mudou. Preciso me lembrar todos os dias quando acordo em que dia o mundo está, preciso me lembrar todos os dias se já comi, se já bebi, se já existi. Eu sempre me perco no pouco, na idiotice da qual me importa naquele momento enquanto todas as outras pessoas estão sendo funcionais e criando vidas de verdade do lado de fora da minha janela. Enquanto todos continuam vivendo eu estou aqui apodrecendo de dentro pra fora, do cérebro para o resto do corpo. Não consigo mais encontrar as memórias felizes, não consigo mais encontrar a felicidade que acho que um dia senti. Em algum momento essas coisas foram reais? Eu não sei mais.

Todos esperavam tanto de mim por algum motivo. Ainda assim estou aqui, um corpo que sempre foi frágil, uma mente mais frágil ainda. Ainda me lembro de rezar todos os dias antes de dormir, rezar para que Deus finalmente me matasse enquanto dormia. Nos últimos tempos tenho apenas suplicado para qualquer coisa que ainda esteja ouvindo. Não importa quem é, eu só não quero mais estar vivo.

Todos meus sentidos parecem cada dia mais lerdos não importa o quanto eu entente. "Você não anda sendo si mesmo", eu ouvi. Mas o que posso fazer quando não sei quem aquela pessoa é? O que raios eu posso fazer quando não me lembro nem o que estava fazendo algumas horas atrás?

Os detalhes da minha vida aos poucos estão se esvaindo da minha mente. Aos poucos não consigo mais me lembrar de como digitava, aos poucos não consigo mais me lembrar de como falava. Ainda tenho voz? Ainda tenho com quem falar? Não, na verdade não...

Lesley riria de mim, mas talvez ela tenha sido a única forma de mim que soube se proteger. Não deixar as pessoas perto, não confiar em nenhum delas, nunca mostrar carinho. Agora sou apenas sensível de mais, tenho emoções de mais ou de menos dependendo da lua.

Porque comecei a escrever? Não sei mais, as lágrimas simplesmente embaralham as palavras e eu não sei mais no que estava pensando. Todos os dias tem sido assim, algo que não entendo me faz chorar e eu tranco nesse estado inacabado de não conseguir fazer mais nada. Encaro as mesmas páginas de sempre, clico nas exatas mesmas coisas pra ver que nada mudou. Vejo o relógio passar enquanto clico em vídeo depois de vídeo tentando silenciar as vozes dos mortos na minha cabeça. Abro um arquivo, fecho, abro outros, nenhum deles consigo editar ou fazer algo com. Me levanto, olho a geladeira, olhos os armários, olho a mesa. Não pego absolutamente nada e sento aqui novamente pra começar tudo de novo.

abyss~

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img: ୨ৎ

{9} pílulas, poções, entre outros delírios não coletivos

✿.。.:* ☆:**:.20 abril 2024.:**:.☆*.:。.✿

Desde ontem quando comecei a tomar os novos remédios sinto que minha realidade se entorpeceu de uma força estranha. Tudo parece muito real mas muito longe da realidade ao mesmo tempo, como se meu cérebro estivesse tentando se sintonizar de qual tá na mesma estação de rádio uvb-76 mas no momento tudo é nada fora estática. Não consigo me sentir real, mas ainda tenho vontade de morrer. O antipsicotico me dá sono. Muito sono. Como se eu não dormisse à 300 anos.

Me sinto um zumbi novamente, mais do que pronto pra levar um tiro na cabeça e talvez finalmente descansar em paz depois de ter sido reeguido dos mortos por algum vírus maligno.

22h: acho que o efeito de um deles está passando, me sinto inquieto, extremamente inquieto e não posso tomar o antipsicotico aqui no trabalho. A ansiedade está começando a bater e não sei o que fazer. Mas me sinto inquieto, não consigo ficar parado.

abyss~

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img: vicinage

{8} porque

✿.。.:* ☆:**:.05 abril 2024.:**:.☆*.:。.✿

Todos os dias eu me pergunto "porque eu?" sem nunca ouvir uma resposta do outro lado. Eu não sei porque eu estou aqui, menos ainda pra que estou aqui, ainda mais considerando meus 0 instintos de sobrevivência e habilidade para qualquer coisa útil. Não é como se eu fosse particularmente engraçado ou inteligente. Menos ainda talentoso em qualquer coisa que eu faça.

Então porque?

Todo artista é dotado de doenças mentais de alguma forma ou gravidade. E por mais que eu ame tanto a arte da escrita quanto do desenho não sou dotado de nenhuma habilidade nas duas. Todos os meus gostos são simplesmente nichos pequenos de mais para interessar as pessoas, e por mais que meu sonho sempre tenha sido trabalhar online eu não sei lidar com crítica e mais ainda com pessoas.

A própria contradição ambulante.

Mas ainda quero tentar, ainda queria conseguir. Só não tenho a menor ideia de como...

abyss~

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img: はせ☆裕

{7} o surto coletivo de todas as identidades na minha mente

✿.。.:* ☆:**:.04 abril 2024.:**:.☆*.:。.✿

Eu simplesmente não sei o que causou o meu meltdown de hoje. Já faziam dias que eu não queria só morrer, talvez porque não tenha tido tempo para pensar sobre. Mas desde ontem sinto que algo foi engatilhado sem eu realmente perceber. Acho que foi quando ela ficou encostando em mim pra passar no espaço apertado, eu não sei porque. Mas me incomodou e muito. Hoje só levaram duas encostadas pra minha mente sair completamente do meu controle... De manhã eu já estava pensando em morrer, mas quando cheguei lá e tive que usar a faca tudo começou a girar na minha cabeça de novo. Eu devia ter ido no caps. Eu sei. Mas a única coisa que consegui pensar é que deveria vir aqui no cemitério pra sentar e escrever. Talvez porque na minha cabeça ainda consigo escutar minha mãe rindo da minha cara todas as vezes que tenho um meltdown. Ainda consigo escutar os professores do primário dizendo pra todo mundo que eu só queria atenção e mais nada. Eu ainda escuto todos eles, cada palavra de nojo e chacota na minha cabeça todos os dias e todos as vezes que isso me acontece. Mesmo assim eu decidi vir até aqui. Talvez porque não vejo a hora de finalmente me juntar à eles nesses exato mesmo lugar. Eu também quero ir queimar no inferno, me parece muito mais fácil do que continuar aqui.

abyss~

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img: nur0ullah.tumblr.com

{6} existência

✿.。.:* ☆:**:.03 abril 2024.:**:.☆*.:。.✿

Existir é um incomodo constante. É como nunca conseguir compreender a diferença entre a vida e a morte, não importa o quanto você tente, o quanto você queira tentar, tudo sempre prece impossível em um nível quase biblico. Eu não tenho os instintos o suficiente pra sobreviver, nem tenho a vontade pra fazer o mesmo. Tanto minha mente quanto meu corpo só querem que tudo isso termine logo, que eu possa voltar ao nada logo.

As vezes eu tenho medo do que eu mesmo sou capaz, do que eu mesmo quero fazer e do quanto penso sobre isso dia após dia. É como se eu precisasse de um vício novo toda vez que o antigo para de funcionar. Toda vez que minha mente se esvai mais uma vez para os mesmos pensamentos de mutilação de sempre.

Como pode ninguém compreender que tudo isso é de mais pra mim? Ser condicionado por 25 anos à sorrir pra todo, dizer sim pra tudo, ser explorado e apenas acenar e sorrir. É muito. Tudo é muito. E ainda assim eu faço tudo com um sorriso aberto no rosto para que as coisas não sejam ainda pior.

O trauma de perder algo que eu considerava mais do que importante toda vez que eu não sorria, toda vez que eu não dizia sim, toda vez que fazia algo de "errado" me persegue até hoje. Porque eu preciso continuar vivendo com medo de perder tudo se ninguém está ativamente mandando em mim? Porque eu preciso continuar vivendo com medo?

Eu só queria poder existir em paz, sem minha própria cabeça se revirar no próprio trauma a cada coisa que alguém me diz, a cada coisa que alguém não me diz.

Porque raios eu não posso só morrer?

abyss~

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img: ???

{5} queimadura

✿.。.:* ☆:**:.29 março 2024.:**:.☆*.:。.✿

Nunca sei como explicar verbalmente o meu cansaço. Não é algo físico que eu posso simplesmente deitar, dormir umas 20 horas e passou. É muito mais é muito além disso.

Meu cansaço é algo completamente mental, é dentro da minha cabeça e eu não tenho como escapar.

Existir cansa, pensar cansar, falar cansa. Tudo me é absolutamente exaustivo. E é difícil de explicar quando mais ninguém compreende como é seu cérebro não ter mais energia pra funcionar e você ter zero formas de concertar isso. Eu não sei uma cura mágica pra simplesmente voltar ao normal. Para falar a verdade, eu não sei se existe e meu último burnout me levou basicamente quase 3 anos pra melhorar.

Mas o maior problema é que eu sempre só me queimo. Não existe um meio termo saudável e é isso que sempre me mata.

No final minha vida só parece uma espiral de tortura todos os dias porque não existe descanso da sua própria cabeça. E não é como se fazer alguma coisa divertida fosse me ajudar porque meu cérebro só não sabe mais o que é diversão (e menos ainda o que é dopamina).

abyss~

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img: deino

{4} Eu odeio pessoas

✿.。.:* ☆:**:.26 março 2024.:**:.☆*.:。.✿

As vezes me questiono o que as pessoas com quem eu perco contato pensam que eu fiz de tão errado fora ser eu mesmo. Fosse da forma mais quebrada que fosse, eu só estava sendo eu. Então me pergunto o que fiz de errado.

Eu sei que não deveria ir atrás das pessoas que saíram da minha vida, mas as vezes minha curiosidade e nostalgia é muito maior do que meu bom senso. E no desabafo de hoje, devo lhe dizer que eu não deveria ter ido atrás dessa pessoa que antes considerei como melhor amiga, ou talvez até algo maior do que isso, como irmã. E ao mesmo tempo que me arrependo de ter lhe mandado mensagem, me arrependo mais ainda de ter lido sua resposta sobre como eu estava despejando muito sob as costas dela.

Na minha mente cansada e quebrada (porque não era exatamente um momento muito bom na minha vida) não estava fazendo nada fora desabafar com um melhor amigo, assim como essa pessoa estava fazendo o mesmo. Sinto que só sou importante na maioria das minhas amizades quando as pessoas precisam de algo. Seja aceitar algo sobre elas mesmas, seja afirmação sobre o que elas gostam de fazer, seja literalmente precisar de ajuda para algo. Esse parece ser o único momento em que minha mera existência lhes importa de verdade, e quando essa ajuda acaba e a pessoa já está bem ela vai embora.

Nunca tive muitos amigos, menos ainda tenho muita coragem de fazer amigos depois de tudo que me aconteceu. Pra falar a sincera verdade, cada dia que passa tenho mais e mais medo de fazer amigos e ser culpado porque saber entender o que está acontecendo quando não é algo que eu sinceramente consigo controlar ou melhorar (ainda mais pela internet).

abyss~

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img: Snail Shell 'the girl in the box-00'

{3} Disforia e dissociação

✿.。.:* ☆:**:.20 março 2024.:**:.☆*.:。.✿

Incrivelmente, eu não tenho disforia na maior parte do tempo. Mas talvez eu só não soubesse que palavras usar quando era criança e não conseguia compreender porque a pessoa no espelho não era a imagem que eu tinha na minha cabeça. Na verdade, nos últimos tempos tem se tornado algo muito pior e muito mais destrutivo.

É difícil encarar o espelho e ver algo que você não reconhece. O monstro do outro lado que você jura não ser você. O problema é que quanto mais tempo passa, mais eu noto que estou fazendo absolutamente tudo no piloto automático. Aka, eu só entro num estado perpétuo de dissociação e quando finalmente volto à realidade não me lembro de quase nada do que aconteceu. As coisas só... aconteceram, e eu simplesmente não lembro a maior parte dos detalhes.

Minha adolescência toda foi assim, empurrando tudo pra frente enquanto eu não conseguia sair do piloto automático. E nos últimos 4 anos tem sido a exata mesma coisa. Eu fico tão perdido no tempo que as vezes preciso fisicamente ver o calendário para saber que dia é, estamos no fim do mês? No começo do mês? As vezes eu só não faço a menor ideia.

abyss~

E aqui vai uma música para te embalar neste post:

img: ???

{2} inutilidade

✿.。.:* ☆:**:.19 março 2024.:**:.☆*.:。.✿

As vezes eu questiono o meu próprio complexo de inutilidade e de onde ele poderia ter vindo. Mas eu sempre chego nas mesmas duas conclusões todas as vezes. 1. Quando eu era criança não importava o quão impressionante algo que eu fizesse fosse, ninguém nunca me deu ao menos um tapinha nas costas. Até por isso não importa o quanto eu faça tudo sempre vai ser menos do que o ideal, nada fora o mínimo. Até porque, foi o que eu sempre ouvi. "Não está fazendo mais do que devia."

Mas talvez o segundo motivo seja o pior deles. 2. O trauma de ter seus amigos próximos basicamente fazerem bullying com você por não ser automaticamente bom em algo que você nunca nem fez.

Não tenho vontade de entrar em detalhes sobre de onde tudo isso veio, pelo menos não agora. De qualquer forma, ainda é parte do motivo que eu nunca sinto estar fazendo o suficiente em absolutamente nada na minha vida. Eu poderia ter curado o câncer e ainda não me sentiria bom o suficiente no que quer que fosse.

Ter um meltdown à cada 2 dias foi o que me fez pensar sobre isso. Porque é o que sempre acontece. Eu passo alguns dias bem e segurando as pontas com todas as minhas forças e no segundo que algo sai do meu controle é como se todo o mundo estivesse desabando na minha cabeça.

No segundo que eu jogo de dps e não automaticamente mato o time inimigo inteiro eu me sinto inútil e horrível por não conseguir, num piscar de olhos, jogar no mesmo nível que os personagens que eu jogo direto como support. "Eu preciso fazer o mínimo, e se não consigo não presto pra nada" é o pensamento que vem na minha cabeça. E eu sei que não estou certo, que nada disso na minha cabeça é real. Mas considerando os anos de ter as mesmas coisas socadas na minha cara de novo e de novo faz com que elas pareçam reais mesmo agora que já fazem quase 4 anos que não preciso mais lidar com nenhuma dessas pessoas.

Por mais que eu tente continuar com a minha vida, por mais que eu queira esquecer e melhorar são nessas horas específicas onde eu me sinto perdido e inútil que tudo volta na minha cabeça como uma grande onda de trauma e negatividade. E eu me odeio por isso. Nada disso foi minha culpa ou minha escolha, mas eu ainda me odeio por tudo isso.

abyss~

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img: 岸田 メル

{1} Introdução (?)

✿.。.:* ☆:**:.17 março 2024.:**:.☆*.:。.✿

Talvez você tenha caído de paraquedas nessa página, ou simplesmente vindo até aqui da sua própria vontade, mas de um jeito ou de outro talvez esteja se questionando "porque raios eu quero saber sobre qualquer uma dessas coisas?" Bom, a realidade é que talvez você não queira. Ou talvez sua curiosidade seja maior, quem sou eu pra dizer alguma coisa? De qualquer forma, seja bem-vinde.

Meu nome é Abyss (pronomes: ele/dele), e nesta página (que talvez eu tenha passado horas de mais fazendo) você vai encontrar o meu blog! Imagino que uma introdução em si não seja 100% necessária considerando que por estes posts você vai me conhecer melhor, mas vou te dizer o básico mesmo assim. No momento que escrevi este post tenho 25 anos, um diploma universitário sem terminar, um notebook de 6 anos, um nintendo switch de 4, uma mesa digitalizadora também de 4, um cachorro (sem raça definida) chamado Nokia de 3, dois gatos (sem raça definida) Valeska de 4 e Dothi de 5 anos. Okay, talvez eu não seja uma das pessoas mais interessantes que você vai encontrar na internet... Talvez eu tenha tido outros blogs dos quais eu não continuei porque introduzir coisas novas na minha rotina é extremamente difícil por conta da minha saúde mental que constantemente decaí a pontos onde ser funcional é impossível... Mas o que custar tentar pela milésima vez, não é mesmo? (kkkk ;a;)

Bom... talvez seja mais interessante falar das coisas que importam um pouquinho mais. Meus blogs falhados. Em meados de 2011 eu tive um blog de mesmo nome do (morto?) blogger, exatamente igual todas as outras pessoas que existem na internet eu imagino. Lá, eu dei meus pensamentos altamente censurados porque eu sabia que pessoas da vida real estavam lendo. Mas aqui? Ninguém sabe que esse lugar existe fora eu e você. :3 (não que isso seja bom ou ruim... para falar a verdade nem eu mesmo sei qual é o ponto de tudo isso fora eu poder compartilhar com o abismo da internet as coisas que eu gosto ou estou pensando.)

O nome do blog sempre se derivou da minha história favorita de conto de fadas. Alice no País das Maravilhas. Que eu li o livro algumas muitas vezes quando eu era criança. (E minha família ainda me diz que nunca notou meu autismo...) De qualquer forma, era para o blog ser um lugar de refúgio e paz onde eu poderia simplesmente vomitar palavras para o nada. No entanto, muito rapidamente, virou um caos de absoluto terror pelo exato motivo que eu mencionei antes. Pessoas na vida real sabiam da existência do blog e eu não tinha como sinceramente saber se eles estavam lendo ou não as minhas palavras obviamente edgy e apenas para chocar o leitor.

Foi exatamente assim que eu comecei a me censurar não apenas na vida real mas também na internet. E considerando minha alta tendência à usar masking 24 horas por dia e 7 dias na semana para tentar apaziguar o mundo que obviamente não consegue entender como eu posso ter esses pensamentos, acho que você consegue ver onde tudo isso me levou.

Mas, por uma questão de manter esse longo discurso um pouquinho mais conciso, deixe-me explicar a linha do tempo daquele blog.

Ele começou no começo de novembro de 2011 e seguiu até metade de junho de 2012 (nem um ano...). Depois disso, em novembro de 2013 eu tentei novamente e parando apenas alguns dias depois. Pela terceira vez, voltei ao blog em agosto de 2019 parando em outubro e voltando em abril de 2020 quando postei com uma consistência não muito boa até março de 2021.

Eu não vou mentir, tenho um pouco de medo de ler os posts e me lembrar de exatamente tudo que estava acontecendo na época. Tanto o trauma quanto todo o resto. Os tempos felizes que agora só lembro com dor no coração pelo que aconteceu entre os tempos em que eu não estava escrevendo sobre. Mas talvez seja exatamente por isso que ainda quero escrever. Lembranças são coisas passageiras, o cérebro não é uma máquina com espaço de memória infinito. Uma hora ou outra essas memórias vão se esvaindo, e esse registrando-as é o único jeito de se lembrar.

Não tenho vontade de voltar atrás, nem tenho nostalgia pelas coisas que aquele blog em específico me trouxe. Mas ao mesmo tempo ainda tenho uma grande vontade de retomar o sonho que o eu pré-adolescente não conseguiu completar. O sonho que moveu a minha vida por todo o ensino médio. O sonho pelo qual eu sobrevivi até entrar na faculdade, e naquele singular momento descobri que talvez fosse impossível e desisti. Criar conteúdo pra internet, fazer as poucas coisas que eu amo e compartilhar com o resto do mundo (porque talvez existam outras pessoas como eu) sempre foi o que eu quis fazer.

E talvez tudo isso pareça sem noção, e só extremamente ridículo considerando que eu estou escrevendo tudo num site que eu não espero que muitas pessoas vejam. Mas todo mundo começa de algum lugar, né?

abyss~

E como sempre me foi tradição desde 2011, aqui vai uma música para te embalar neste post:

(olha que upgrade, fomos do youtube, que nem funciona mais como embed direito, pro spotify. :3)

img: nidera.tumblr.com